Operação queima gordura

Veja o que realmente dá resultado neste dossiê que preparamos pra você

por Redação SHAPE
02/03/2012

Por Luciana Fuoco

Seria tão bom se pudéssemos dormir e acordar sem aqueles pneuzinhos que tanto odiamos. Mas a verdade é dura: não há gordura localizada que saia do corpo sem reeducação alimentar e exercício. Por isso, se quiser acabar já com estes estoques — que não te pertencem — precisa agir. Descobrimos os mitos e as verdades sobre gordura localizada e o que você pode fazer para eliminar esses excessos que ficam acumulados em certas partes do corpo.

Variar os exercícios é uma maneira de gastar mais o estoque de gordura.
Verdade: Quanto mais condicionados estamos, mais tempo precisamos para manter e melhorar nossa forma física. A variação do exercício diminui a estagnação do nosso corpo e aumenta a capacidade física. “Vários estudos apontam a necessidade da variação do treino e diversificá-lo melhora a coordenação neuromuscular, a capacidade cardiovascular e eleva o gasto de energia. No entanto, o que vai estabelecer de quanto em quanto tempo o treino deve ser alterado é o nível de condicionamento e o objetivo de cada pessoa”, explica Fabrício Araújo.

Usar produtos de beleza de ação criogênica antes do exercício funciona para queimar mais gordura.
Mito: O efeito criogênico é apenas sensitivo e não há alteração efetiva na temperatura da gordura. “Os produtos de beleza de ação criogênica são feitos à base de substâncias refrescantes como cânfora e mentol. Eles não têm efeito terapêutico, além disso, não há estudos adequados e com boa metodologia que comprovem sua eficácia”, explica o dermatologista Ricardo Limongi Fernandes, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, responsável pelo ambulatório de Cosmiatria do Instituto de Cirurgia Plástica Santa Cruz em São Paulo. O aumento de temperatura que esses produtos causam não consegue penetrar na camada de gordura, que fica após a derme, portanto, não têm efeito sobre os adipócitos, que são as células de gordura. “Em relação à criolipólise (quebra das células de gordura pelo frio), o que existe cientificamente comprovado é um aparelho chamado Zeltiq, que consegue congelar o tecido gorduroso sem causar danos na pele e, com o tempo, o tecido gorduroso localizado diminui”, afirma a especialista em dermatologia Barbara Uzel, do Hospital Anchieta no Distrito Federal.

A gordura acumulada na barriga é a mais difícil de ser eliminada em relação à gordura do culote, por exemplo.
Mito: Não existem regiões que queimam gordura mais facilmente que outras. O organismo queima a gordura do corpo inteiro ou não queima. Se você já perdeu todo o peso necessário, mas o culote insiste em atormentar seus dias, a solução dependerá apenas de intervenções estéticas, infelizmente. Isso acontece porque nem todos possuem a distribuição das células de gordura de forma igualitária pelo corpo. “Para dar um exemplo, imagine que você tem 5 células de gordura no bumbum, mais 5 na barriga e 10 no culote. Ao perder peso com atividade e alimentação balanceada, estas células de gordura vão esvaziar. Mas note que, enquanto é possível zerar a gordura localizada da barriga e do bumbum, no culote ainda pode restar algo, e nem sempre o correto será perder mais peso”, explica a endocrinologista Alessandra Rascovski.

A musculação reduz a gordura localizada da área trabalhada.
Mito: A gordura é sistêmica, ou seja, ela não diminui em decorrência da área exercitada. A musculação age de duas formas: a primeira é fortalecendo a região e a segunda é aumentando o gasto energético do corpo (assim como outras atividades), o que leva à consequente queima de gordura. No entanto, para reduzir de forma expressiva o percentual de gordura é preciso investir nas atividades aeróbias. “Lembre-se que exercícios localizados não eliminam a gordura específica do local exercitado, eles contribuem apenas com o processo, portanto, alie atividades localizadas com aeróbias como andar, correr, nadar e pedalar”, insiste Fabrício Araújo. Então, se você não quer ficar flácida, além de estar acima do peso, aposte em exercícios localizados 3 vezes por semana, de 45 a 60 minutos. Para a barriga, invista em abdominais que trabalhem suas diversas porções: supra, infra e laterais. Já para o bumbum, aposte nas extensões de quadris, que podem ser executadas em pé, deitada ou na posição de quatro apoios. E para o culote vale a abdução de quadris, feita em pé, sentada ou deitada.

Existem alimentos que ajudam a eliminar a gordura antes que ela vire estoque.
Verdade: Segundo a nutricionista Daniela de Almeida, do Departamento de Nutrição e Metabologia da Sociedade Brasileira de Diabetes, existem alimentos que são capazes de reduzir a formação de gorduras. Pesquisa da Universidade Federal de São Paulo demonstrou que as fibras solúveis da aveia ajudam a diminuir a absorção das gorduras. “As fibras solúveis também são encontradas em verduras, legumes, frutas, cereais integrais, semente de linhaça, farelo de trigo e quinoa. Eles podem fazer parte do cardápio diariamente”, afirma a nutricionista. Alimentos ricos em cálcio, gorduras insaturadas e flavonoides, como brócolis, leite e derivados, atuam no controle glicêmico. Isso diminui a resistência à insulina e facilita a perda de gordura na cintura. Para fazer efeito, ingira-os pelo menos 3 vezes ao dia (café, almoço e jantar). Para afinar o abdômen, diminua o consumo das gorduras saturadas, encontradas nas carnes, e elimine da sua dieta as trans: frituras.

Massagem redutora acaba com a gordura localizada.
Mito: A massagem não tem capacidade de quebrar as células gordurosas e, portanto, não consegue eliminá-las. “Não há estudos que comprovem tal realização. O que acontece é uma pequena mobilização temporária do tecido adiposo, o que dá a impressão de redução das medidas”, diz a presidente da Sociedade Brasileira de Biomedicina Estética, Ana Carolina Puga. Embora a massagem redutora não acabe com a gordura localizada, ela promove uma melhora da circulação, do metabolismo, e aumenta a oxigenação das células, mas seus resultados são mais eficazes quando associados a dieta e exercícios físicos. “O procedimento deve ser feito por um fisioterapeuta e, para que o resultado seja possível, o ideal no mínimo são 10 sessões, de 2 a 3 vezes por semana”, afirma a diretora da clínica Bella Línea, Alessandra Sallum Fernandes, de São Paulo.

Malhar 30 minutos é suficiente para queimar a gordura do organismo.
Verdade: Malhar 30 minutos contribui para o emagrecimento. “Gastamos gordura a todo momento. Ela é a principal fonte de energia nas atividades aeróbicas praticadas acima de 20 minutos. Isso não quer dizer que ela só começa a ser queimada após este tempo”, enfatiza o educador físico especialista em fisiologia Fabrício Araújo, diretor técnico da L&F Academia de Minas Gerais. Agora não há mais desculpa, se você só tem 30 minutos para malhar, aproveite, pois esse tempo é suficiente para ajudar você a perder os pneuzinhos indesejados.

Consumir alimentos com cafeína (como o chá verde) antes dos exercícios ajuda a queimar o estoque de gordura.
Verdade: A cafeína tem demonstrado efeitos termogênicos, que estimulam o metabolismo e aumentam o gasto energético, podendo promover a perda de peso. O chá verde e outros alimentos e bebidas com a presença de cafeína (café, chá preto, mate, chocolate) podem favorecer a oxidação de gorduras e a perda de calorias. “O chá verde aumenta o metabolismo basal, diminui o apetite e facilita a digestão, além de ser rico em polifenóis, que ajudam na queima de gorduras. Recomenda-se ingerir de 140 a 400 mg de cafeína, 30 a 60 minutos antes do exercício, que podem melhorar a velocidade e a resistência. Alguns estudos não associam somente a ingestão do chá verde como responsável pelo emagrecimento”, acrescenta a endocrinologista Roberta Villas Boas, do Hospital 9 de Julho de São Paulo. No entanto, a nutricionista Daniela de Almeida, do Departamento de Nutrição e Metabologia da Sociedade Brasileira de Diabetes, alerta: hipertensos e pessoas com gastrite e úlceras devem ter cuidado! A cafeína aumenta a pressão, pode causar ansiedade, taquicardia e distúrbios gastrintestinais. Esses alimentos devem fazer parte de uma dieta balanceada, pois usados isoladamente terão pouco efeito.


Cosméticos à base de ativos como cafeína, centella asiática e silício orgânico ajudam na quebra da gordura localizada.
Mito: Estes ativos não têm capacidade de quebrar as células gordurosas. “Assim como os produtos criogênicos, esses cosméticos não penetram no tecido adiposo e, portanto, não quebram as células de gordura. Porém, eles contribuem para melhorar a circulação local e estimular a formação de colágeno na pele, melhorando a flacidez. E, se associados a atividade física e alimentação balanceada, melhoram o aspecto geral da região afetada”, afirma a dermatologista do Hospital Anchieta. Para dar um up no visual, mas sem a ilusão de acabar com a gordura localizada, Ricardo Limongi Fernandes aconselha usar o cosmético em forma de creme de massagem — desde que prescrito pelo dermatologista — diariamente após o banho e durante as sessões de drenagem linfática. “A atividade física é o principal tratamento para gordura. A ação de qualquer tratamento é muito mais eficaz na vigência de atividade física, pois este é o único método capaz de consumir a gordura contida nos adipócitos”, sentencia.

A oligoterapia pode acabar com a gordura localizada.
Mito: Este tratamento é baseado na suplementação de minerais, como: selênio, zinco, magnésio, cobre e manganês. Esses micronutrientes atuam em diversas funções em nosso organismo, como na atividade de enzimas relacionadas ao metabolismo da glicose e da glândula tiroide, responsável pela regulação do peso corporal, dentre outras funções. Uma alimentação balanceada, rica em frutas, vegetais, oleaginosas e cereais integrais, costuma suprir as necessidades desses micronutrientes. “O objetivo da oligoterapia é reequilibrar a energia do organismo, evitando ansiedade, estresse, desânimo, alterações do apetite, queda de cabelo etc., relacionados aos teores desses oligoelementos. Quando há um equilíbrio entre os nutrientes, as atividades do metabolismo melhoram. Podemos então relacionar isso com a melhora do ânimo, reeducação alimentar e, por consequência, a redução do peso”, avalia Roberta.

Qualquer exercício aeróbio acaba com a gordura localizada.
Verdade: Todo exercício aeróbio queima gordura, pois utilizamos o metabolismo lipídico para realizar estas atividades. “Havia um mito de que somente após 30 minutos de atividade é que estava iniciando a queima de gordura, mais isso já foi comprovado, em estudos científicos, que não é verdade, pois no primeiro minuto em que se inicia uma atividade já estamos tendo gasto calórico. Assim, a queima de gordura e a frequência cardíaca (FC) de treino vão variar de indivíduo para indivíduo, de acordo com seu condicionamento físico”, explica o especialista em fisiologia do exercício Leonardo Marandino, personal trainer da Academia Forum Exere.

Desequilíbrio hormonal colabora para o surgimento de gordura localizada.
Verdade: Algumas disfunções hormonais, como hipotiroidismo, climatério ou hipogonadismo, podem levar a uma alteração metabólica com aumento de gordura corporal. “Nas mulheres, por exemplo, a queda de estrogênio na menopausa desregula a distribuição da gordura e facilita a formação da barriga. A boa notícia é que, ao corrigir o distúrbio hormonal, o acúmulo de gordura em geral tende a diminuir”, afirma a endocrinologista Roberta Villas Boas.

O ultrassom traz o mesmo resultado de uma lipoaspiração, na eliminação da gordura localizada.
Verdade: Existe um procedimento denominado “Lipo sem Cirurgia”, que utiliza um tipo específico de ultrassom chamado HIFU-High-Intensity Focused Ultrasound (ultrassom focado de alta intensidade — Ultracontour). “Este aparelho destrói os adipócitos (células de gorduras) e reduz a gordura localizada da área tratada. É um procedimento biotecnológico não cirúrgico (não invasivo), indolor e que permite ao paciente continuar normalmente com sua rotina de trabalho”, afirma a biomédica estética Ana Carolina Puga, presidente da Sociedade Brasileira de Biomedicina Estética. Em média, reduz-se cerca de 4 a 10 cm totais de abdômen, com 4 sessões do procedimento — o equivalente ao resultado de uma lipoaspiração, após 3 meses de sua realização. Porém, o procedimento tem suas limitações. “Mas, em pequenas regiões como pescoço, face e axila somente a lipoaspiração cirúrgica consegue alcançar”, afirma. Existem outros tipos de ultrassom, que emitem ondas dissipadas (Manthus, Hecus) e esvaziam o adipócito, promovendo uma redução temporária de gordura localizada. Por isso é importante saber qual aparelho será usado no tratamento. Segundo Ana Carolina, são necessárias no mínimo 6 sessões, mas pode variar de pessoa para pessoa. Vale lembrar que nenhum método para tratamento de gordura localizada é definitivo. É preciso manter uma dieta adequada e exercícios físicos regulares, pois se houver ganho de peso é possível que a gordura volte a acumular ali.

Só é possível acabar com a gordura localizada com lipoaspiração.
Nem mito, nem verdade: Cada pessoa acumula mais gordura em determinada região corporal. Um programa de treino regular aliado a uma dieta alimentar traz sucesso no processo de emagrecimento e diminuição da gordura localizada. No entanto, é possível eliminar essas células adiposas do local desejado com a lipoaspiração. “Esse procedimento remove definitivamente as células de gordura. Como elas não são capazes de se regenerar, o efeito é muito satisfatório”, explica Ricardo. No entanto, pesquisadores do Centro de Ciências e Saúde da Universidade do Colorado, em Denver (EUA) afirmam que, se você não mantiver o peso depois da cirurgia, pode sim recuperar o acúmulo de gordura na parte do corpo que foi lipoaspirado. Isso acontece porque, apesar de não haver regeneração dos adipócitos (células de gordura), os remanescentes podem acumular mais gordura, gerar aumento do volume da região e formar de novo a gordura localizada na área. Ou seja, as formas só serão mantidas se a pessoa praticar exercícios e fizer dietas balanceadas para manter ao ponteiro da balança estagnado.

Não comer antes dos exercícios faz o corpo queimar mais gordura durante o treino.
Mito: Fazer exercício em jejum não permite maior oxidação de gorduras. Os nutricionistas costumam dizer que “a gordura queima numa chama de carboidrato”, ou seja, para que haja queima de gordura é necessário um consumo adequado de carboidrato antes do exercício. “Sem a quantidade adequada de carboidrato, o organismo irá captar energia para realizar funções vitais em outras reservas, como os músculos”, afirma a nutricionista Ioná Zalcman Zimberg, doutoranda pelo Departamento de Psicobiologia da Unifesp. Em geral, é necessário consumir 1 g de carboidrato por quilo de peso. Ou seja, se você pesa 50 kg deve consumir 50 g de carboidrato. Essa “pequena” refeição corresponde, por exemplo, a 3 fatias de pão integral e deve ser ingerida por volta de 1 hora antes da atividade. Se o exercício durar mais de 60 minutos, será fundamental consumir carboidrato durante a atividade para evitar fadiga. A quantidade ideal gira em torno de 30 a 60 g de carboidrato por hora, por exemplo, 1 bebida isotônica.

Abdominais também ajudam a acabar com a gordura da barriga.
Mito: Exercícios abdominais, assim como qualquer exercício localizado, têm como finalidade fortalecer a musculatura local e não eliminar a gordura da região. Se você faz este tipo de movimento para eliminar a gordura, esqueça! O papel dele é aumentar a tonicidade da região, ou seja, deixá-la mais durinha. Para este propósito, a educadora física Thais Scussolin aconselha começar com exercícios 3 vezes por semana. “Assim, os resultados são vistos em 3 meses. Vale lembrar que atividades localizadas precisam de repouso de 24 a 72 horas de uma sessão para outra, dependendo da quantidade de exercício, por isso, as regiões abdominais trabalhadas devem ser alternadas diariamente”, afirma.

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